Arraianos em busca de patrimônios perdidos

Poliana Macedo
Palmas

Algumas peças históricas da cidade de Arraias desapareceram com o tempo, outras estão armazenadas indevidamente, como documentos históricos da época da escravidão no país. A ong Viva Arraias faz uma campanha junto com órgãos públicos e comunidade para tentar encontrar esses objetos perdidos no tempo.

No livro Memórias de um viajante antiquário, publicado em 1984, do autor José Claudino Nóbrega, há vestígios de algumas peças sacras encontradas nos destroços de uma antiga igreja da cidade. “Visitando Arraias, comprei muitas antiguidades. Havia lá os restos de uma igreja construída há duzentos anos. Quando desabou, soterrou preciosas imagens. O Pe. Petrocílio, todos os domingos, em sua prática, apelava para que o povo recuperasse as imagens. Certo dia, o padre enviou o sacristão à minha presença, pedindo que o procurasse com urgência. Fui atendê-lo em sua residência. Mostrou-me as imagens e contou longa história sobre a recuperação das mesmas. De fato, eram verdadeiras obras de arte. Comprei-as. Mas ficou condicionada a compra ao sigilo, para evitar falatórios.”

Revistas
Segundo a presidente da ong Viva Arraias Vera Alves Carrico muitas peças foram vendidas e até noticiadas por revistas nacionais. “A revista Veja publicou em 5 de março de 1979, fotos de uma Salva de Escolas, objeto de prata que recebia os donativos dos fiéis, daqui de Arraias, e que até aquele ano, estavam em São Paulo.”

Documentos
Conforme informações da presidente, uma pesquisa feita pelos alunos da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Campus Arraias, sob a coordenação do historiador, professor Marcos Edílson Araújo Clemente, constatou o valioso conjunto documental constituído de textos, inventários, licença para casamento e cartas de Alforria datados de 1721 à 1900, que permitem recuperar importantes informações do cotidiano escravista em Arraias. “As pessoas não conhecem a realidade, ou seja, a verdadeira história de Arraias, por isso que devemos resgatar e preservar esses documentos e objetos perdidos, vendidos e até mesmo roubados do patrimônio da cidade.”

Arquivo
Em janeiro de 2009, a ong Viva Arraias solicitou ao Governo do Estado que fosse criado o Arquivo Histórico de Arraias que seria destinado a coletar, armazenar, conservar, higienizar, restaurar e informatizar os documentos que estão desgastados pelo tempo e impropriamente armazenados. “Nossa intenção é deixá-los disponíveis aos pesquisadores, estudantes e a população em geral, dando a estes a compreensão da história de Arraias na perspectiva da afirmação da memória e da identidade arraiana.” Porém, segundo Vera o pedido nunca obteve resposta. “Vamos refazê-lo ao novo Governador, agora em fevereiro, para quem saiba ele entenda a importância de manter e preservar o patrimônio histórico do Tocantins.”